19 Novembro 2009

tritura estrutura, tritura

estrutura tritura

trincos de chave sem som
aos trancos e barrancos
arrancos de rã
on the road

tritura estrutura

cuspe de Iansã
sabão na boca
mel de metal
saliva pouca
no charco da avenida
fumaça digital
o corpo aberto aos pixels
alcachofra – jurubeba – boldo

estrutura tritura
santo do pau oco
voz insana
beco, x-tudo
gengivite
boca, x-9
afta na garganta
nafitalina nos bolsos
e o crack no sonho dos meninos de calçada

tritura estrutura
tritura

tosse de tuberculoso
voz de gaveta
que atravessa o ventre
fome que come a própria fome
sísifo sifu
funde-se o vento ao muro

estrutura tritura
pão com mortadela
a morte do amor
barbarela
a morte do feto
no maço de cigarro
cigana vênus veneno
voz de dentro


eu sem voz
você sem vício na catedral
dos mais de cem mil
detentos
que aguardam o julgamento final
envoltos
entre o céu e o precipício

a terra mais nuvem
que eu?
o céu mais raiz
que você?

tritura estrutura

tritura

01 Novembro 2009

levar o pensamento até onde

o outro está

sentado só, longe de casa

na mesa de um bar.

Levar o corpo até onde

se encontrar:

na ausência do outro olhar.

25 Outubro 2009

Dar socos no ar

pra sentir o gosto do corpo

15 Outubro 2009

treponema

alguma palavra há de existir

que se lance, mosquito na pedra

que se junte ao abraço do estranho

alguma palavra: treponema

que quebre a maçã do sêmen

trinta e um anos e nenhum problema resolvido

sequer colocado

trinta e um anos e o busto de Drummond me serve de colo

alguma palavra há de sair

goela adentro

da espinha ao pensamento

alguma palavra acalanto

de vulcão

06 Outubro 2009

adiós mercedes sosa

vá com sua voz

sosa

sózinha e com todos

deixe-nos à mercê de

ser o imprescindível que você é

vá com sua voz

como mensageira de outro mundo

drume, drume negrita...

12 Setembro 2009

oxum

ela via a lua ela via o rio e quando ela queria dançar ela cantava Yemanjá e quando ela queria meditar ela pensava no mar.
E como se ela soubesse que a cada dia a vida aqui não pode ser isso só e não é só isso não e ela olha a lua e o rio passa e na sua cabeça dança Yemanjá, e a saudade que pode vir do mar a saudade de saudar o barco que vai
e vai passar .
ela sabe de não saber como é o rosto de sua mãe e uma linha do rosto de sua mão que salta sempre na hora em que ela se olha no espelho e então ela vibra ela vibra de dançar de não saber como dança o mar e então ela se escorre pela correnteza do rio e ela sabe que a vida escorre como a mãe segue a vida que não se segura porque a vida escorre feito uma flauta que esqueceu o sopro em algum lugar.

longe, bem longe de onde é lá

e então ela vê sua prima sua prima que se joga numa arena escura à luz de vela e ela vê o manto e o manto não mente e o mito não omite que a prima quer e busca e quer dançar e oxum oxum quer soltar e joga e escorre cachoeira e solta seus seios e joga seus anseios na arena e joga no rio e ela não pode mas ela quer mas ela quer e ela não pode dançar oxum e esquece o espelho no banheiro e o espelho de oxum no banheiro sua prima entrega e escorre seus cabelos feito dedos de pente fino no pudor de sua insegurança que quer ir que quer ir e ela olha ao redor toda a santa proteção que lhe concede a família toda excessivamente quer sua proteção e ela quer sair e sua prima entrega o espelho o espelho aqui oxum cante o pente que espanta as pedras do coração pra

longe, bem longe de onde é lá

07 Setembro 2009

máquina maquina

02149223262497 é o número do protocolo. Estou impossibilitado de me conectar, sem conexão. Aguardo na linha o reparo técnico. Quem me atende é uma máquina, ela entende o que falo. Ela me pede para dizer sim ou não. E eu digo sim, digo sim e depois não. Ela só entende sim. Então eu repito sim e grito não. A máquina me encaminha a outro setor de atendimento. Outra máquina intervém. Dessa vez, ela me pergunta o que desejo. Eu digo: você. Ela não me entende. Então ela pede pra repetir. Eu repito, eu quero você eu preciso de você, ninguém mais habita meu ser além de você. A máquina repete que não entende, na mesma voz doce e metálica. Sinto tesão. Falar com uma atendente máquina passa a me excitar. Ela então diz que vai verificar meu sistema. A verificação do sistema é lenta e a máquina pede desculpas pela demora a cada 1 minuto programado. Me sinto deliciosamente invadido e, a cada um minuto, ejaculo esse líquido virtual que habita meu corpo.

25 Agosto 2009

larval - video poesia

Larval

Do latim “larvare”, larva é também "máscara fantasma". Para fugir da República de Platão e fazer da larva nossa potência criadora.

Assista no link abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=PYu5nJRCm7I&feature=channel_page

10 Agosto 2009

só lhe dão

a explosão de meus olhos

é a única arma que

tenho a oferecer

para escapar da solidão

desse baile de ipods

onde cada um dança sua própria música

06 Agosto 2009

dance

comece do avesso

percorra as trilhas que seguem suas veias

mesmo sem vê-las

rompa com as determinações

procure um corpo que caiba no seu

e dance

dance

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